segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Das Alagoas pra Sampa

Só agora voltei de férias. Acho que sou a única blogueira que tem a cara-de-pau de tirar férias também do blog. Sei que estou dando mais munição para que os paulistas chamem os cariocas de vagabundos. Nem sequer enviei matérias para o blog, lá de onde estava, “nas” Alagoas. Assunto não faltava.

Antes de ir, uma amiga carioca fez um comentário que já daria pano pra manga. “Ah, eu não sabia que você tinha parentes por lá”, foi o que ela disse quando eu contei que passaria dez dias em Alagoas. A frase dela, subliminarmente, vem com o seguinte significado: “Gastar suas férias e seu dinheiro pra ir pra este fim de mundo, só se justifica se você tiver algum parente por lá. E só se for pai e mãe. “ Acabei não dando resposta à altura, uma vez que sofro da síndrome das respostas retardatárias. Só me lembro de uma resposta à altura, meses depois do desaforo, totalmente fora do timing.

Algumas observações no dia-a-dia do hotel dariam bons posts pro blog. Podia ter escrito lá do hotel, em “real time” – bacana meu inglês, não? - sobre a orgia gastronômica que é o tal sistema “all inclusive” de um resort. Presenciei depoimentos contundentes de hóspedes que assumiam que “precisavam” ir embora, pelo simples fato de não agüentarem mais comer. O tal sistema, faz qualquer um perder a compostura. Lotar o prato de lagosta, equilibrando aquelas carcaças até trinta centímetros de altura, era algo corriqueiro – porque sabe como é, tá tudo incluso, né? Uma vergonha.

E o que dizer do apartheid social? Ao entrar no restaurante, o aviso é claro: famílias com crianças só podem se instalar nas mesas do lado direito – bem distante das pessoas normais.

Os recreadores são um capítulo à parte. Se recreação infantil já é algo deprimente, o que dizer dos recreadores de adulto? No mínimo, uma profissão infeliz. As atividades escolhidas são sempre esdrúxulas, sendo a mais deprimente a hidroginástica. Muitos gritos e axé music a todo volume pra acompanhar. Detalhe: só os gordos participam, achando que finalmente encontraram um exercício “animado” para sair do ócio.

Mas se eu continuar falando das minhas férias vai parecer falta de assunto pro meu blog. E é mesmo. Preciso voltar ao que interessa: São Paulo na veia!
Estou de volta a terrinha!

Um comentário:

  1. Eu sofro da mesma síndrome de respostas retardatárias. Rs

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